|
|
| |
.
Muitos habitantes deste
planeta ainda pensam segundo o paradigma de antigos negreiros, o Outro só
existe enquanto for útil, servir para alguma coisa. Não lhes reconhecem a dignidade de
pessoas. As relações entre os povos são vistas em termos de
exploração, saque, rapina. A solidariedade é uma palavra que não consta no
seu léxico. |
|
| |
Os argumentos do
negreiro, para não ajudar o Outro são quase sempre os mesmos. Alega
frequentemente que não pode fazer porque ainda não tem todos os seus problemas domésticos resolvidos. Não tem a casa ou o automóvel dos seus sonhos, as férias que
há muito deseja. A solidariedade do negreiro reduz-se em dar ao Outro (preto,pobre, etc) os
sobejos, os desperdícios do festim. Os pobres não necessitam de
mais, contentam-se com as sobras. A sua preocupação está centrada na ementa
do festim, não nos restos.
| |
| |
Muitos pensam segundo o paradigma
capitalista, o Outro é parte de um negócio a curto prazo (Toma Lá da Cá),
a médio prazo ( Toma lá, e quando tiveres condições para isso retribui com
juros) ou no longo prazo (Toma lá e diz a outros que foi eu que te dei). | |
| |
| |
| |
Na
verdade, continuam a haver muitos poucos utópicos neste planeta. Aqueles que conseguem ver
no Outro uma pessoa que co-habita no mesmo mundo e sobretudo, são capazes de
entender que se ele estiver mal, então todos também estamos. |
|
| |
| |
| |
|
|